O que é a doença de Dupuytren?
A doença de Dupuytren é uma condição benigna e geralmente de progressão lenta. Ela começa com a formação de nódulos na palma da mão, perto da base dos dedos, e pode evoluir com o aparecimento de cordas, causando curvatura nos dedos em direção à palma da mão. Isso resulta em deformidades e pode comprometer seriamente a funcionalidade das mãos.
O que é a contratura de Dupuytren?
Trata-se de um problema que provoca o fechamento dos dedos. A doença de Dupuytren é uma fibromatose benigna da fáscia palmar, ou seja, o tecido da palma das mãos e dedos passa a sofrer alterações patológicas. Como resultado, os dedos podem se dobrar, tornando impossível esticá-los completamente.
Quem é afetado pela doença de Dupuytren?
A doença é mais comum em homens, especialmente os de etnia branca. Na região norte da Europa, a prevalência é particularmente alta, com algumas fontes referindo que a doença estava associada aos Vikings, embora não haja uma ligação direta com este grupo histórico. Além disso, pode haver associação com diabetes, consumo excessivo de álcool, tabagismo, epilepsia, entre outros fatores, mas essas associações não são confirmadas por todos os estudos. A herança genética é, sem dúvida, o fator mais importante.
Quais são os sintomas da doença de Dupuytren?
No início, o paciente pode perceber a presença de um nódulo na palma da mão. Com o tempo, surgem cordas que causam a retração dos dedos, fazendo com que fiquem curvados e impossibilitando sua extensão completa. Uma queixa comum é a dificuldade em colocar a mão no bolso devido à deformação. Os dedos podem chegar a ficar completamente dobrados, o que além de prejudicar a função da mão, pode dificultar até mesmo a higiene. O quarto dedo (anelar) é o mais afetado, seguido pelo quinto dedo (mínimo). O acometimento bilateral é frequente, com um dos lados sendo mais afetado. Conforme a doença evolui, a pele na área afetada fica mais aderida à corda espessa abaixo.
A doença pode afetar outras partes do corpo?
Sim, a doença pode se manifestar em outras áreas, como a planta dos pés (conhecida como Ledderhose) e o pênis (La Peyronie). Essas manifestações estão associadas a formas mais agressivas da doença e são frequentemente vistas em pacientes mais jovens. Na mão, além da palma, a doença pode também afetar o dorso das articulações interfalângicas proximais, resultando nos chamados nódulos de Garrod.
Como é feito o diagnóstico da doença de Dupuytren?
O diagnóstico é clínico, baseado no exame físico e na história do paciente. Exames de imagem, como a ultrassonografia, podem ser solicitados para documentar a condição.
Tratamento da doença de Dupuytren: Cirurgia é sempre necessária?
Não, nem todos os pacientes necessitam de cirurgia. Em casos em que há apenas nódulos ou cordas leves, sem contratura significativa dos dedos, a cirurgia não é indicada. Nesses casos, o tratamento conservador pode ser suficiente.
Em que estágio a cirurgia é recomendada?
O teste mais comum para determinar a necessidade de cirurgia é o “table top test”. Se o paciente conseguir apoiar a mão completamente aberta com todos os dedos estendidos em uma mesa, a cirurgia não é necessária. Se não for possível espalmar a mão adequadamente, a cirurgia pode ser indicada.
Existem outras opções de tratamento?
Em alguns países, utiliza-se uma substância chamada colagenase, que é aplicada por injeção para dissolver as cordas. Porém, este tratamento ainda não está aprovado no Brasil.
Como é a cirurgia?
A técnica mais amplamente utilizada é a fasciectomia seletiva, na qual as cordas responsáveis pela retração dos dedos são removidas. O tecido saudável da palma da mão não é afetado. As incisões são normalmente feitas em formato de zig-zag. O tratamento cirúrgico deve ser realizado por um especialista, pois há nervos e artérias próximos às cordas patológicas que estão em risco.
A doença pode voltar após a cirurgia?
Sim, a recidiva é possível e pode ocorrer em outras áreas da mão. No entanto, nem toda recidiva necessita de cirurgia, especialmente se não houver limitação de movimento significativa. Pacientes mais jovens com formas agressivas da doença têm maior chance de recidiva e, muitas vezes, requerem múltiplas cirurgias, podendo até ser necessário o uso de enxertos de pele.
Curiosidade sobre a doença de Dupuytren
A doença leva o nome de Barão Guillaume de Dupuytren, um cirurgião francês que descreveu a condição detalhadamente, embora não tenha sido o primeiro a observá-la. Ele foi um renomado médico, e seu trabalho ajudou a popularizar a condição. Além disso, ele também foi o médico pessoal de Napoleão Bonaparte.
Importante: O tratamento deve sempre ser personalizado, com base em uma avaliação médica cuidadosa. Consulte um especialista em ortopedia de mãos para determinar o melhor tratamento para o seu caso.